Maragojipe canta seus filhos

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Carnaval das Antigas: Que saudade que tenho!

Por Aldo Sampaio

Ainda tenho o sentimento preso ao passado mais com a esperança de ainda poder assistir o carnaval que conheci quando criança levado pelas mãos da minha saudosa mãe e acompanhado pelos meus dois irmãos.

Que saudade que tenho!

Não que eu seja saudosista, mas porque gostaria de ver suas verdadeiras tradições nos carnavais dos tempos atuais como o amor, os blocos, as serpentinas, os confetes e o pierrô que guardava uma toalha molhada como lembrança de um colombina que fez brotar em sua alma um amor que seria para sempre.
Foto do Bloco Catchup da Família Pestana
A minha geração viu as batucadas, os filhos de Bagdá, os ternos de mamãe sacode, os cordões, o trio elétrico de Dica aos acordes do cavaquinho de Quinande executar as marchas do grande ex-maestro Mamede do Rosário e do conhecido Eládio do Arrasta Couro.

A minha geração também dançou, cantou as marchas e sambas, vestiu lindas fantasias, chorou de alegria e sofreu de dor quando às 05 horas da manhã ao arrebol do último dia a orquestra em despedida tocava: "Tá chegando a hora."

Em um canto do salão do Rádio Clube via-se as lágrimas de um pierrô apaixonado sentindo a dor do silêncio de uma quarta-feira de Cinzas.

No entanto, os foliões de hoje brincam um Carnaval sem brilho, sem amor, sem alma, sem alegria, estimulados apenas pelo uso de bebidas alcoólicas, enquanto naquele tempo eram os corações iluminados pelo fulgor que davam adeus a nostalgia e iam para as ruas na esperança de encontrar suas grandes paixões.

Aldo Sampaio