Maragojipe canta seus filhos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Chegou no limite: Sem contratações, Dica anuncia possível venda do Trio Maragós


Uma história consagrada por múltiplas subidas e descidas, por ruas pequenas ou grandes, estreitas ou largas, grandes retas ou ruas tortuosas. O Trio Maragós sempre encantou as multidões e neste ano de 2016, seu criador, conhecido popularmente como Aidil Nascimento (Dica do Trio) anunciou um triste fim, ainda na esperança de que toda esta história seja revertida. De 1956 até hoje, são 60 anos de alegrias e muita animação. 

Uma possível venda do grandiosíssimo Trio Elétrico Maragós, pois ele [o Dica] já está cansado de equipar o velho caminhão e nenhum órgão público, bloco ou empresa contrata a velha máquina de fazer alegria transbordar pelas ruas. Dica ainda relatou que usam como desculpas, a violência que ronda a cidade nestes últimos anos.
Estão vindo uns trios grandes aí, as ruas são apertadas, agora o meu roda tudo ainda, só que eles não querem, esse ano passado mesmo que eu saí, fizemos um acordo, eu disse: olha, eu quero fazer o carnaval como eu fazia antigamente, circular pelas ruas. Tá certo, aí saí no sábado das palmeiras, vim pela rua do estadual, subi o saboeiro, vim na praça, aí, domingo, era para sair para correr as ruas todas aí. Ah, não venham mais na praça e só vá do Areal para o Caijá, pronto, eles que determinaram, aí desanima o carnaval, eu cansei de ir no porto, até no cemitério, manobrar ali e vir, subi a rua nova e vim pra rua do rio, todo ano eu fazia isso aí, rua do armazém, área, corria Maragogipe toda. (Dica do Trio, in artigo sobre o Carnaval de Erick Gomes)
Certamente, nós maragogipanos não estamos sabendo escolher o que é justo e correto. Não é um Trio Elétrico que promove a violência na cidade é a falta de educação, de empregos, de oportunidades, de cultura e arte. E o Trio Maragós - patrimônio do Carnaval Imaterial da Bahia - simboliza um pouco da História do Carnaval de Maragogipe, a nossa cultura e a nossa arte.

Terra de musicalidade que  já perdeu o Trio Totó Fofoca e o Trio Tranzas Mil. Agora, estamos perdendo nosso maior patrimônio artístico-musical. Tudo porque falta sensibilidade para promovermos um rica história cultural no município de Maragogipe o que atrairia muito mais visitantes, estudiosos e amantes deste lindo Carnaval.

Nas nossas considerações finais salientamos que não podemos deixar que nosso patrimônio histórico e cultural seja destruído. Que os blocos privados possam se sensibilizar com esta notícia e procurem o grande mestre carnavalesco Dica do Trio para mantermos viva este nosso patrimônio.